Sessão de Culto #53: Blade Runner (1º aniversário – Convidado: Francisco Rocha)

A Sessão de Culto teve a sua ressurreição neste reboot  do MovieWagon há precisamente um ano. O filme que estreou esta nossa rubrica foi o grande John Carpenter’s They Live, um dos maiores e mais adorados filmes de culto dos anos 80. A estreia representou uma das publicações mais vistas deste nosso blogue e foi um excelente começo para esta nossa “sessão” semanal que tanto prazer nos dá realizar todas as semanas. Já foram 52 obras de culto que por aqui passaram e o plano consiste em termos muitos ainda pela frente. Para nós, estes 52 filmes iniciais foram apenas o começo.

Para comemorar esta data especial, agendámos o também muito especial Blade Runner, o clássico de culto de Ridley Scott, uma das obras mais adoradas de sempre e um dos preferidos aqui da casa. No entanto, como em qualquer festa temos sempre convidados, falámos com o Francisco Rocha (criador do excelente espaço que é o My Two Thousand Movies, blog de passagem obrigatória), adepto fervoroso da obra de Scott, para ser o nosso convidado e criar um texto acerca do filme. E tal texto aqui fica nas linhas abaixo. Obrigado pela vossa presença desse lado, com a Sessão de Culto e todas as outras nossas rubricas e ciclos. Passamos agora a palvra (ou, neste caso, a escrita) ao Francisco Rocha:

blade_runnerLançado para as feras em 1982, “Blade Runner” é um filme adulto ao mais alto nível. Negro e visionário são apenas alguns dos adjectivos que nos vêm à mente quando falamos da obra-prima de Ridley Scott. Já o vi sete vezes, e cada uma dessas visualizações trouxe algo de novo para mim. Feito sem qualquer CGI,  é uma maravilha do cinema old school dos anos 80, que criou um sub género totalmente novo dentro da sci-fi: o sci-fi noir.
Mas nem tudo foi simples para este filme. Em Maio de 1982 teve a sua primeira exibição para os participantes na produção da obra, daquela que seria conhecida como a “domestic cut”, uma versão que não teve uma grande recepção por parte dos seus intervenientes. Depois da estreia oficial a 25 de Junho, ficou claro que tanto o público como a crítica sofria da mesma reacção que toda a equipa teve. harrison-ford-em-cena-de-blade-runner-1297817349390_1024x768Por algum motivo, as críticas a “Blade Runner” foram particularmente virulentas, como se a maioria dos críticos da nação tivessem ficado ofendidos com o significado e o tratamento que Scott deu ao filme.
Mas os problemas do filme não foram apenas as más críticas. No mesmo mês que estreava “Blade Runner” também estreava “ET”, de Spielberg,  “Star Trek II: The Wrath of Khan”, ou “Poltergeist”. Tudo filmes virados para o fantástico, que se tornariam sucessos enormes de bilheteira. O campeão de 1982 foi “ET”, que era o competidor directo do filme de Scott, que também era a antítese sentimental do pessimismo corajoso de “Blade Runner”. Este ficaria-se por uns magros 27 milhões nas bilheteiras, muito longe do alcançado pelos filmes acima referidos: “ET” com 359 milhões; “Star Trek” com 78, e “Poltergeist” com 76.
Blade-Runner-LARGEFosse qual fosse a razão do seu fracasso, o filme foi capturando uma audiência que se recusou a permitir que o filme caísse no limbo. As questões que se punham eram, quem era esse público e o que é que eles tinham visto neste filme?
A estreia de “Blade Runner” coincidiu com uma explosão de interesse nos computadores, na indústria de alta tecnologia e na engenharia genética. As duas últimas estavam em franca expansão na altura em que Regan subiu ao poder, e uma nova geração de jovens profissionais marcaram o inicio de uma nova era da cultura corporativa e consumismo. bladerunner-harrison-fordExiste uma ligação temática entre “Blade Runner”, e este período da sociedade mundial, já que o filme explora a relação entre a alta tecnologia e o comportamento individual. Por exemplo, o elemento comum mais forte entre “Blade Runner” e “Alien” (o filme anterior de Scott), era a insistência na desumanização necessária para a sobrevivência humana num mundo dominado por mega-corporações. Assim, quando a um Blade Runner é solicitado para executar um replicant, isto não é considerado execução mas sim retiramento.
O lançamento de “Blade Runner-The Final Cut”, em 2007, assinalou o último capítulo no mito em volta do filme, que tinha começado 25 anos antes, e providenciava às audiências um produto final acabado. royNeste período de tempo, “Blade Runner” teve seis versões diferentes, mas nenhuma delas era realmente uma obra prima como alguns queriam transparecer. Para o pequeno culto inicial que tornara “Blade Runner” uma tão importante, chegava-se agora ao fim da pesquisa, e estava encontrada a obra-prima absoluta.
A visão distópica da Los Angeles do século 21 influenciou inúmeros filmes nos anos seguintes. Desde “Terminator”, de James Cameron, ao “Batman” de Tim Burton, passando por “The Crow”, “The Matrix”, “Dark City”, entre muitos outros. “Alien” era brilhante como ficção científica e como terror, mas com “Blade Runner” Blade-Runner-2-RachaelScott aventurava-se em águas mais profundas, e produzia um filme que crescia mais e mais com o passar dos anos. Ninguém quer imaginar que o futuro será mais negro que o presente, mas ninguém pode negar que a visão de “Blade Runner” está a aproximar-se da realidade com o passar dos anos. Megacidades superpovoadas, a degradação ambiental, a ascensão da Ásia como uma força cultural no Ocidente.  Empresas corporativas cada vez mais poderosas isoladas da interacção com a população. Tecnologia que em muitos aspectos superou a nossa capacidade de entendê-la. Este era o “Blade Runner” de 1982, e cada vez mais, é o dia de amanhã.

Trailer:

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